A luta continua na <i>Cerâmica de Valadares</i>
A luta dos trabalhadores da Cerâmica de Valadares pelo direito ao trabalho e ao salário está longe de estar terminada. Como realça a Comissão Concelhia de Vila Nova de Gaia do PCP num comunicado de dia 4, os trabalhadores receberam cerca de 150 euros referentes ao mês de Março, encontrando-se em falta o restante deste mês e a totalidade do mês de Abril, e a produção está parada por falta de matéria-prima, com grande parte dos trabalhadores em casa. É a própria administração a reconhecer que há encomendas de países como Angola, Brasil e Emirados Árabes Unidos – e mão-de-obra disponível para trabalhar é coisa que não falta.
Para o PCP, que já tomou várias iniciativas parlamentares referentes a esta situação, os responsáveis pela problemática realidade que vive hoje a Cerâmica de Valadares estão identificados: «a sua Administração, a Câmara Municipal e o Governo que, com má gestão, políticas de destruição do sistema produtivo e falta de respostas e vontade política, colocam em causa o futuro de uma fábrica com mais de 90 anos». Os únicos que não têm nisto qualquer responsabilidade são «exactamente aqueles que estão a ser dolorosamente penalizados» – os trabalhadores.
Num comunicado em grande parte dedicado a não deixar cair no esquecimento as causas da situação por que hoje passam estes trabalhadores, o PCP recorda o «conivente silêncio» e a «inaceitável inércia» da Câmara Municipal de Gaia perante a gravidade da situação. As promessas feitas ao longo do processo de luta pelo município, nomeadamente pelo presidente, revelaram-se autênticos embustes.
Já à administração, o PCP acusa-a de «má gestão, comportamentos inadmissíveis junto dos trabalhadores, com sucessivas promessas e acordos de regularização da situação não cumpridos, atitudes intimidatórias e de ameaça, pressão para que rescindissem os seus contratos de trabalho». Os comunistas de Gaia recordam ainda que continua por desbloquear a possibilidade de um empréstimo da Caixa Geral de Depóisitos no valor de três milhões de euros. Lembre-se que foi este mesmo banco que financiou a OPA sobre a Brisa, no valor de 400 milhões de euros.